segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mundo " Invisível"

Fui ao Mc Donald's fazer um lanche. Fiz meu pedido, paguei, e enquanto aguardava pela tão saborosa guloseima, percebi que um menino "andante" - termo que acabo de criar para dar cabo aquelas crianças que apesar de terem uma família, passam a maior parte do seu tempo na rua pedindo um trocado ou algo que momentaneamente matasse a sua fome - me observava. Durante aquele breve momento percebi que a p...resença daquela menino incomodava-me muito. Passado o momento, comecei a refletir sobre minha postura e perguntei aos meus botões: por que?
Ao olhar aquela criança com mais cuidado, pude perceber que constantemente a vejo naquele mesmo Mc Donald's fazendo a mesma coisa: pedindo um trocado ou de uma alma mais caridosa um Big Mac para saciar a sua vontade.
Não obstante algo ainda me incomodava: quem eram os culpados pela situação em que aquele menino se encontrava? Seria de sua mamãe que não lhe deu as condições básicas de vida, uma boa estrutura educacional e um apoio familiar? Seria dessa mesma mamãe que não recebeu condições dignas para uma vida decente, sendo usurpado todo o que a lei lhe garante? Seria do governo que não apóia de maneira satisfatória as famílias brasileiras deixando-as a própria sorte numa sociedade cada vez mais excludente e perversa? Seria desse mês
O governo que cria cada vez mais projetos de apoio a população mas que por falta de uma logística própria para a vida do brasileiro e pela falta de hombridade de alguns governantes acaba por ajudar uns e deixar de ajudar a muitos outros? Seria de Deus, que por um momento esqueceu-se daquele menino e por conta disso foi deixado a própria sorte?
Depois de muito pensar, refletir, e tentar buscar um culpado, tive a infeliz conclusão: todos tem culpa. Ninguém tem culpa.
Assisti na sala de aula um vídeo chamado "crianças invisíveis" e devo a ele parte dessa reflexão que aqui escrevo. Nesse documentário, varias realidades são mostradas sobre as diversas condições a que as crianças do mundo tem sido submetidas. E como não poderia faltar,nossa criança brasileira, favelada, da região sudeste, estava ali para completar aquele álbum de figurinhas macabro.
Não sei ao certo se as crianças do documentário foram ou são crianças moradoras de uma comunidade qualquer de uma metrópole qualquer da região sudeste. A pergunta que não quer calar e que ainda não saiu da minha cabeça : Por que aquele menino que poderia estar em qualquer lugar estava ali? Para lembrar-me diariamente do meu papel como historiador dentro da nossa sociedade ou para mostrar ao mundo que esse mundo "invisível" esta cada vez mais real e visível dentro de nosso cotidiano.
O nome da criança? Não sei. Sei que ele eh mais um filho sem nome de uma nação sem nome por conta de sua pluralidade de raças, crenças. 
Mais um "invisível" numa realidade cada vez mais real.
 

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